A atriz sul-africana Charlize Theron, hoje com 50 anos, compartilhou pela primeira vez em detalhes o trauma que viveu aos 15 anos. Em entrevista ao jornal The New York Times, ela revelou que sua mãe, Gerda Maritz, matou o próprio marido, Charles Jacobus Theron, para proteger as duas durante um episódio de violência extrema.
Segundo Charlize, o caso aconteceu na África do Sul após uma noite aparentemente comum. Depois de um passeio ao cinema, ela e a mãe foram para a casa de um tio. O pai ficou irritado porque a filha não o cumprimentou — atitude considerada desrespeitosa na cultura local.
Temendo um confronto, a atriz pediu à mãe que dissesse que ela já estava dormindo quando ele chegasse. No entanto, a situação escalou rapidamente. O pai invadiu a casa acompanhado do irmão, ambos armados, destruindo as travas de segurança e atirando contra as portas, com a intenção de atingir as duas.
Mãe e filha se trancaram no quarto e seguraram a porta com o próprio corpo enquanto os disparos eram feitos. Nenhuma bala as atingiu. Em seguida, ao tentar buscar uma espingarda, o homem foi surpreendido por Gerda, que reagiu: primeiro atirou no cunhado, atingindo sua mão, e depois no marido, que não resistiu.
No dia seguinte, sem acesso a apoio psicológico, Charlize foi orientada pela mãe a seguir a rotina normalmente e ir à escola.
Apesar do trauma, a atriz afirma que o episódio fortaleceu a relação entre as duas. “Percebi que ela salvou minha vida. A partir dali, nos tornamos uma equipe”, disse.
Charlize decidiu tornar a história pública agora para encorajar pessoas que enfrentam ou já enfrentaram violência doméstica. “Quando isso aconteceu conosco, pensei que éramos os únicos. Não sou mais assombrada por essas coisas”, declarou.
