Jovens Japoneses Estão Deixando de Ler Mangás, Aponta Estudo

Kika L.
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Mesmo ainda movimentando números expressivos de faturamento, mesmo após a primeira estagnação do mercado em mais de uma década registrada em 2025, a indústria de mangás pode estar prestes a enfrentar um novo desafio nos próximos anos: a perda de interesse do público mais jovem. Ao menos é o que aponta o escritor e especialista no mercado editorial japonês, Ichishi Iida.

Em uma coluna publicada no portal japonês President Online, o pesquisador afirma que, até 2004, os lucros obtidos com a venda de antologia de mangá — como Weekly Shōnen Jump — eram significativamente maiores do que os gerados pelos volumes encadernados (tankobons). Durante a década de 1980, considerada o auge desse modelo de publicação, estudantes japoneses do ensino básico e secundário afirmavam ler, em média, até 10 revistas mensais.

No entanto, em 2025, a média caiu para apenas uma revista por mês, o menor índice já registrado. Além disso, 77,7% dos adolescentes e jovens entrevistados afirmaram não consumir nenhuma antologia japonesa de mangá. A única exceção consistente citada no levantamento foi a revista infantil CoroCoro Comic.

Embora parte dessa debandada possa ser explicada pela migração dos leitores para plataformas digitais, Iida destaca que a queda no consumo também ocorre nesse segmento. Segundo ele, mesmo em baixa, as publicações físicas ainda são mais consumidas por adolescentes e jovens do que os formatos digitais. O analista chega a questionar quem será o público leitor de mangás nas próximas duas décadas caso o cenário continue se agravando e nenhuma medida seja tomada pelos executivos do mercado editorial japonês.

Curiosamente, um fenômeno semelhante também vem afetando a indústria de animes e até a de jogos eletrônicos japoneses. Franquias como Final Fantasy estão entre as que mais sofrem com a dificuldade de renovar suas novas gerações de consumidores. 

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