Seja ótimo, mediano ou terrível, The Mandalorian & Grogu será um marco importante para a franquia Star Wars quando chegar aos cinemas em 21 de maio — e isso não pode ser menosprezado.
Pode-se dizer que The Mandalorian e Andor foram as novidades mais impactantes da franquia desde que Star Wars passou a pertencer à Disney. O fato de O Mandaloriano estar indo para os cinemas soa quase como uma promoção: foi a série que viabilizou a expansão do universo live-action no streaming — e, convenhamos, isso é merecido.
Quando produziu a trilogia sequel, a Disney tentou usar a nostalgia como ponte para apresentar novos personagens e rumos à saga. Porém, decisões questionáveis — como dar o sobrenome Skywalker à Rey — acabaram simbolizando o fracasso desse esforço. No fim das contas, o estúdio não conseguiu renovar Star Wars nos cinemas porque insistiu em manter o destino de toda a galáxia preso à história de uma única família.
É claro que muita gente vai citar Rogue One para rebater esse argumento, mas até mesmo esse derivado possui uma conexão nostálgica fortíssima com a trilogia clássica, já que sua história acontece imediatamente antes de Star Wars: Episode IV – A New Hope.
Enquanto as animações e as produções para o streaming assumiram riscos com novos gêneros, estilos e personagens, o cinema permaneceu preso à zona de conforto dos heróis clássicos. Nesse sentido, Star Wars: The Last Jedi foi um presente de Rian Johnson para a franquia. Mas o medo falou mais alto e, ao desfazerem muitas das mudanças propostas pelo cineasta, a Lucasfilm quase matou Star Wars nos cinemas.
A verdade é que Star Wars sempre teve um universo vasto, mas o cinema passou tempo demais olhando para ele através de uma viseira estreita. Como um faroeste espacial com alma de filme de samurai, O Mandaloriano e Grogu representa a primeira grande aposta da franquia em fugir desse eixo tradicional. É, sim, um risco controlado — basicamente a Lucasfilm colocando o pé na água para sentir a temperatura —, mas ainda assim um esforço importante para explorar o verdadeiro potencial galáctico da saga.
Diversos projetos parecidos morreram nos últimos anos, mas já existe outro confirmado para 2027 que desperta bastante curiosidade: Star Wars: Starfighter, estrelado por Ryan Gosling e dirigido por Shawn Levy. O longa chega aos cinemas em 27 de maio de 2027 e parece seguir a mesma linha de O Mandaloriano e Grogu: histórias que não colocam a eterna batalha entre Jedi e Sith no centro de tudo.
Se o filme de Shawn Levy fizer sucesso — ou qualquer outro que siga essa proposta —, haverá muito a agradecer a O Mandaloriano. Afinal, é a jornada de Din Djarin que está abrindo essa porteira.
Muita gente estará focada em um possível desempenho modesto nas bilheterias, mas, honestamente, o papel dessa produção parece muito maior do que simplesmente gerar lucro. Trata-se de conquistar um novo público e, finalmente, iniciar uma verdadeira era de exploração para Star Wars nos cinemas. Porque, sinceramente, já passou da hora de a franquia parar de caminhar apoiada na bengala da nostalgia.
Feliz 4 de maio para vocês, meus amigos.
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